27 de dezembro de 2009

2010
Vem aí.
Vamos recebê-lo com alegria e optimismo. Sei, por experiência, que sempre que relaxamos; que baixamos as guardas, tudo melhora. Os nós desfazem-se diante de nós e é de novo possível voltar a acreditar. Se não disser nada, entretanto,  deixo esta mensagem de alegria. De escuta ao melhor de cada um de nós.
Abraço geral e até para o ano.

Possidónio Cachapa

15 de dezembro de 2009

GRAFFITI

São 2, são gémeos, vivem em S.Paulo e enchem as paredes de arte. Não estou sozinho na admiração por estes street artists (como diria em bom português a Guta M. Guedes). Vão estar no Museu Berardo a produzir trabalho no próximo ano. Ainda bem, para nós. Visitem o site gémeos graffiti

14 de dezembro de 2009

A CULPA É DO FACEBOOK...
Desculpem não andar a escrever por aqui. Mas o Facebook tem comido todo o tempo para comunicar de que disponho. Presumo que quando me fartar dele (o que já esteve mais longe...) voltarei ao Prazer_Inculto que resiste há 6 anos, de pedra e cal.

1 de dezembro de 2009

"A nova directora da DGLB, Fabíola de Abreu Afonso, é licenciada em Direito pela Fac. de Ciências Humanas da Un. Catól. Port. e trabalhou até agora no Min. da Economia, da Inovação e do Desenvolvimento, na Divisão de Assuntos Fiscais e Financeiros das Empresas e dos Auxílios de Estado na Direcção-Geral das Actividades Económicas.". Ufa! Por momentos temeu-se que fosse alguém que não percebesse muito de livros...

28 de novembro de 2009

LA NAVE VA...
E já começaram a soar as opiniões diversas sobre o Rapaz-Coelho. Umas boas, outras más, como é natural. O livro é de quem o lê e a forma como alegrias, medos ou fantasmas se acendem nele, são da sua inteira responsabilidade. O livro segue o seu caminho e tudo o que se disser ou escrever sobre ele ficará com quem o fizer, porque no final é isso, o encontro entre o objecto artístico e o seu observador.

24 de novembro de 2009

DEPOIS DO LANÇAMENTO...
Tudo se acalma.
Ainda bem. O livro faz-se à vida e eu também.

3 de novembro de 2009

CRONICA DE CORK 2

 O tempo falta entre as sessões de cinema. Não que me queixe, só pelo filme que junta várias curtas romenas sob o nome TALES FROM THE GOLDEN AGE, teria valido a pena. Mas deu para andar ao longo do rio que atrapalha Cork, obrigando a cidade a desvios, pontes e artimanhas para se manter à toa. Chuvisca quase todo o tempo e já quase não me lembro de abrir o guarda-chuva.
Esta noite bebi Murphys pela primeira vez (que me lembre). Bebi, não: comi, que ainda tenho atravessada a pint no estômago.
Amanhã se verá o que vai acontecer. Chuva e cinema, de certeza.

1 de novembro de 2009

CRÓNICA DE CORK

As pessoas são animadas, conversam alto, abraçam-se bastante, mas sem aquela coisa histriónica dos italianos (que às vezes é a sério, a maioria das vezes é só forma). Chove, claro, depois do sol da manhã. O verde não se conserva só de luz.
Numas das ruas, um tipo toca violino com as mãos e guitarra com os pés. Em nome da média nacional das pessoas que sabem música, acho bem.
Entro numa igreja católica, na hora da missa. Não é muito diferente das portuguesas. Tem mais gente e poucos são os que estão com cara de frete, só isso.
Ontem à noite, entrei num pub. Pergunto pelo drama que a imprensa portuguesa empolara com a proibição de fumar no interior. O meu guia encolhe os ombros: não se passou nada. Ele até acha fixe, porque assim vai lá fora e aproveita para flirtar por 2 minutos... E assim acontece, várias vezes na noite.

31 de outubro de 2009

A QUINTA ABANDONADA

Peco (sem cedilhas de Inglaterra) perdao as (e sem acentos...) vacas, ovelhas e outros animais da Farmville por nao as ter ordenhado, tosquiado, etc... Mas desconfio que o meu sonho virtualo-campestre esmoreceu. Deve ser de nunca cheirar a terra nem se sentir o vento humido nos dias de Inverno...

28 de outubro de 2009

A UNANIMIDADE NA TRISTEZA

Por todo lado me dizem: "As livrarias não estão interessadas em Literatura, sobretudo, portuguesa. Não vende". Presumo que se refiram aos maiores pontos de venda (como agora se diz), mas ainda assim. Esta afirmação gera em toda os elementos de produção de um livro, uma onda de desânimo, de baixar os braços. Tornámo-nos dispensáveis, aqueles que interpretam o mundo com os pés assentes no torrão. Deixámos que a mediocridade dos bestsellers e dos livros de autoajuda pense por nós.
Gostava de saber o que o ministério da Cultura terá a dizer a esta situação. Mas, mais importante, o que pode esta grande maioria silenciosa fazer para resistir? Uma coisa é certa, cada dia será mais difícil, país afora, encontrar o trabalho de escritores portugueses. Até quando vamos ficar de braços caídos à espera que decidam por nó? Unanimente derrotados?

25 de outubro de 2009

A 6 DE NOVEMBRO

Creio que este videobook criado pelo Angelo Gonzalez vos dará o ambiente do meu novo romance.

Em breve, estará disponível o primeiro capítulo, em PDF, para poderem iniciar a leitura.

20 de outubro de 2009

SOBRE A MUDANÇA CLIMATÉRICA

Com o regresso da chuva, esta manhã, suspirei de alívio. Eu, que vivo para o sol e para a luz. Sobretudo, percebi melhor a razão porque a mudança no clima serviu de fundo ao meu novo livro. Quando se escreve, registam-se os sinais. Só depois se tentam decifrar. Ou se consegue...

16 de outubro de 2009

HERBERTO, EU, E AS MÃES DOS DOIS. AINDA QUE  IMAGINÁRIAS

Ao ler, por acaso, a tese de doutoramento de Luís C. de Sant'anna Maffeir, para a Universidade F. do Rio de Janeiro, sobre Herberto Helder, vejo que faz a gentileza de estabelecer um breve paralelismo entre dois momentos do nosso trabalho. Agradeço, dos muitos furos abaixo desse grande poeta, em que me encontro. E admito que a dissertação faz sentido. O erotismo é, de facto, um fogo que se alimenta de combustões variadas. Algumas indizíveis

"A irmandade da qual Herberto Helder faz parte ganha mais um partícipe em Possidónio Cachapa, pelo menos no que diz respeito ao tema da vinculação entre mãe e filho. No romance A Materna doçura, um dos principais personagens é Sacha G., apresentado logo no primeiro parágrafo (1998, p. 11):
Sacha G. não chegou a rei da pornografia aos vinte anos, como se costuma dizer. Pelo contrário: tinha mais de trinta, um casamento arruinado e muitas dívidas, quando teve a ideia de se dedicar à Pornografia Maternal.
(...)
Logo, quando lhe apareceu essa ideia de filmar homens, a rodar nus, à volta do corpo lânguido e acolhedor das mães, não viu nisso nada de estranho (...). Pareceu-lhe a consagração do mais interdito dos interditos ou, se preferirem, a mais natural das coisas proibidas.
Nada há de pejorativo, aqui, na expressão “pornografia”. Se o étimo de pórnos aponta para algo como “depravado”, pode ser lido também como aquele, ou aquilo, que se torceu ou corrompeu. E grafia é escrita, seja sobre papéis em branco, seja em imagens na tela, como no caso de Sacha G. A personagem de A materna doçura, portanto, realiza uma combustão semelhante à herbertiana ao enaltecer o interdito e ver, na possibilidade de interpenetração entre mão e filho, “a mais natural das coisas proibidas”, o mais natural dos percursos, dos intercursos. O fato de as personagens de Sacha G. serem sempre homens feitos, e não crianças, revela a perenidade da condição de filho, pelo menos no caso de quem se mantenha in-fans, seja qual for a idade. Conjecturo um paralelo entre dois dos contos de Os passos em volta aqui citados: a presença das “putas” em “Vida e obra de um poeta” lembra “Duas pessoas”, em que um dos narradores é uma prostituta. Se “as putas de Pigalle” (HELDER, 1997a, p. 150) são as mães do homem, aquela com quem ele realiza a união sexual em “Duas pessoas” também o será. Mais uma vez mãe e mulher fundem-se, e fica evidenciado que “a combustão dos filhos” de “Fonte” é, com efeito, uma ardência que se origina do desejo erótico. "

14 de outubro de 2009

A CAPA
Bom... como  se sabe o que conta é o que está lá dentro. Foi nisso que gastei os últimos dois anos da minha vida. A criar metáforas para a forma desajustada como tantos de nós lidam com a sua existência, como enfiam a cabeça em tocas para não ver. E, contudo, seria tão fácil olhar em volta e aceitar a beleza branca da neve.
Ainda assim, aqui fica a capa do meu próximo romance:


11 de outubro de 2009

CASA DAS HISTÓRIAS DE PAULA REGO

Começa por ser um belo projecto do arquitecto Souto Moura, as pirâmides-chaminé à espera de envelhecerem.
Depois, vem a obra da pintora.
A primeira vez que vi o seu trabalho, nos anos 80, não me impressionou grande coisa, apesar dos louvores gerais. Percebi, ontem, melhor, essa minha reacção. As obras produzidas nesse período, e a a forma dispersa como as "histórias" são contadas tela afora, dizem-me pouco. Por gosto e feitio.
Mas o resto, o que ela fez um pouco antes, e, sobretudo, o tipo de trabalho desenvolvido neste milénio, é absolutamente genial. Não se sai ileso daquelas mulheres torcidas, batidas, sujeita a todo o tipo de sevícias. As personagens de Paula Rego ficam maldosas à força de serem sujeitas à violência. Os sapos e os porcos em cima delas, a esmagar e a conspurcar. É duro, ver tudo aquilo. Mas, brilhante, ao mesmo tempo.
Outra grande surpresa é a loja do museu. Provavelmente a melhor do país. Tudo ali foi produzido especificamente ou escolhido a dedo. Apetece levar tudo para casa, desabituados que estamos da abundância do bom gosto E os preços, ainda para mais, são razoáveis.
Cara Paula Rego, que não lerá este post: "Parabéns por tudo. E de certeza que só pode estar orgulhosa de dar nos dar a todos este lugar tão especial".
Aqui fica o site.


10 de outubro de 2009

GOSTO DE BEIRUTE
...do grupo, que a cidade ainda está por conhecer.
Aqui fica o vídeo, rodado numa rua de Paris, num projecto de rua "Take Away Show".

8 de outubro de 2009

O TEMPO CORRE...

Faltam horas para os amigos, para os almoços em que se trocam experiências novas e antigas e se colocam à tona os sentimentos de benquerença mútuos.
No facebook ainda se arranja breves minutos para dizer isto ou aquilo. No blogue já é mais complicado.
O Tempo é uma coisa boa, porque nos permite crescer e ver os outros e a nós próprios numa dimensão mais realista, logo de pacificação. Mas não precisava de correr tanto. Afinal, segundo alguns, sendo circular, nunca irá a lado nenhum.

6 de outubro de 2009

AS MÚSICAS QUE NOS INFLUENCIAM

Enquanto se escreve um romance, ouve-se muita coisa. Pessoalmente, tenho sempre uma lista de coisas que me passaram e em que tento não reparar nos títulos (o que no meu caso não é difícil, distraído como sou). Escuto, em fundo, sempre as mesmas músicas, até à saturação.E, de alguma forma, isso influencia-me. No tom, no comprimento da frase, no ambiente do instante que descrevo.
"O Livro Branco do Rapaz-Coelho" foi escrito ao som de Au Revoir Simone e de Andrew Bird, entre outros. Esta noite, tive a oportunidade de ver o primeiro grupo ao vivo. E percebi que aquela sonoridade entre o real e um espaço-além tem muito a ver com o que escrevi.
Quem ouvir a "Sad Song" ou "The Lucky one", que reproduzo em baixo (com um vídeo feito por alguém desconhecido e que, mais uma vez, tem a ver com o trabalho que desenvolvi, embora só o tenha visto há instantes, quanto procurei ilustrar este post)vai saber antecipadamente o ambiente geral que pode encontrar nesta obra.

5 de outubro de 2009

PARA CONCLUIR A QUESTÃO ISLANDESA

Foi o meu país mais a norte (ou quase, teria de verificar no mapa, a questão finlandesa...) e um dos melhores de todos.
Começa-se pela paisagem, irreal de mais para ser verdadeira. O fogo e o gelo a tocarem-se constantemente. Géisers e glaciares, neve e lagoas de água quente.
Não vale a pena falar muito sobre o assunto. Uma pesquisa na Net pode dizer mais sobre esta experiência.
Mas gostaria de registar outras coisas. A começar pela cozinha islandesa. Não disse "gastronomia", porque isso poderia levar a coisas como "tubarão apodrecido", ou pratos com "papagaios-do-mar" (puffins, creio que a tradução será essa...) ou a carne de baleia que insistem em comer. Falo da variedade, apresentação e qualidade de qualquer refeição onde quer que se fosse. Pela dedicação dos empregados (muito jovens, a maior parte do tempo, fazendo-nos lembrar que estamos a criar gerações de inúteis, incapazes de prover ao próprio sustento...), até à forma como a comida era empratada. Por um preço razoável, o mesmo que pagaríamos em qualquer restaurante português, é-se bem servido.
Também poderia falar de piscinas públicas, museus e outros lugares onde se acede por quase nada. Na verdade, o que mais nos estranha, enquanto portugueses, é que os funcionários cumpram o seu dever sem parecer estarem constantemente a fazer um frete. Não estamos habituados, pronto.
A visitar, obrigatoriamente (sobretudo, enquanto a conversão com a coroa islandesa nos for favorável).

23 de setembro de 2009

NOVA EDITORA

Primeiro a Assírio & Alvim, pela mão do maior dos editores, Hermínio Monteiro. Depois a Oficina, viragem para outras águas, com outros desafios. E agora, o mergulho em profundidade, no meio do B. Chatwin e do Bolaño, amparado pela direcção de Francisco José Viegas (outro transmontano, mas que fazer, se é com estes e com os galegos que a minha inquietação escrita melhor se entende?) sou recebido na Quetzal Editores (grupo Bertrand).
A equipa é boa e parece-me que a aventura correrá bem.
Em Novembro, O Mundo Branco do Rapaz-Coelho estará nas livrarias para fazer o seu percurso.

19 de setembro de 2009

VIDA NOVA

Com a chegada de Setembro, arranca o meu "ano civil". Início das aulas nas várias escolas (o desafio de uma nova cadeira semestral na Universidade Lusófona, por exemplo), lançamento de novos projectos e a preparação para que o novo livro chegue de boa saúde às livrarias em Novembro (nova data, primeira semana do mês). Sobre este assunto, na segunda-feira, publicarei aqui algumas novidades.
Em preparação o site para os que procuram um registo mais estruturado do meu trabalho.
Para tudo isto, nada melhor que mudar o layout do blogue. Sob a (temporária, por certo) égide dos coelhos...

15 de setembro de 2009

patrick swayze

Não sei se era um grande actor, mas ao partir lembra-me que uma parte de mim permanecerá sempre adolescente suficiente para se comover com esta cena, um bocadinho pateta, de "Ghost".

13 de setembro de 2009

LISBOA MIX

Hoje, domingo, e já ontem, sábado (pelo menos) o largo do Martim Moniz rebentou em música, exposições, comida e por aí fora. O mundo todo misturado. Foi muito bom ver gente oriunda de tantos países, a ouvir as mesmas músicas, a partilhar essa fruição.
É esta a visão que tem faltado a Portugal e a Lisboa. O saber que o tempo em que éramos todos brancos e com as mesmas referências culturais, acabou. O mundo mudou e temos duas maneiras de ver a coisa: ou nos defendemos, empurrando com decretos os imigrantes ou aceitamos o que eles trazem de bom e de novo, desenhando as linhas civilizacionais que não podem recuar (os direitos das mulheres, por exemplo).
Hoje foi mesmo bom ser mais um, ao som da música dos Balcãs... tocada por portugueses.

7 de setembro de 2009

A CONTAGEM DOS DIAS

Cada um mede os dias que lhe calharam como quer ou como pode. Os meus, conto-os em pores-de-sol. Não todos. Apenas daqueles extraordinários, quase sempre sobre o mar. Nessas alturas, ao comover-me diante do espaço que se unifica em tons que vão do laranja ao azul-prata, sei que se não houver amanhã, não fará mal. Porque me foi permitido ter estado ali, naquele tempo.
Ontem, contei mais um.

3 de setembro de 2009


FACES

Vamos sentir falta deste bonito rosto e da subtileza do seu estilo.
elefantes

É falso que os elefantes sejam uns animais de peso. A lesma, sim, sempre agarrada à brilhantina... A mula, que envelhece no posto, talvez, por não querer reconhecer que a erva cresce nas montanhas.
Mas o elefante... Pode voar. Pode.
http://www.youtube.com/watch?v=xdufuHcg4fY

MAD MEN

Há séries assim: bem escritas, que não nos deixam largar e, sobretudo, que nos obrigam a reflectir sobre um passado recente. E no caso de alguns de nós, a tirar conclusões sobre o presente. "Mad Men" (FoxNext, vai no episódio 8, pelo que percebi, mas pode contar-se com as repetições) é um caso disso. Um publicitário nos anos 50, tenta perceber os mecanismos da vida, enquanto fuma e fuma, engana a mulher e vende o que gosta e não gosta. A sombra de R. Yates (Revolutionary Road e Cold Spring Harbor, publicado na Quetzal, por exemplo) a pairar na sua nostalgia e impossibilidade da felicidade absoluta. A Literatura, sempre a Literatura, por detrás.
A não perder (série e os livros do autor por analogia), por quem gosta de histórias bem escritas.

31 de agosto de 2009

NO DIA EM QUE QUASE TODA A GENTE RECOMEÇA O TRABALHO:
Viva o Verão e a costa portuguesa.
Podemos queixar-nos de muita coisa, mas há que reconhecer que ter assim spas à borla, espalhados pelo país todo não é de desprezar.
E já agora, antes que ele se vá embora, amuado: Viva o Sol!

27 de agosto de 2009


I'LL SEE YOU IN MY DREAMS

Reedição especial do filme de zombies de Filipe Melo (deixem-me dizer assim, porque não teria sido o que foi sem ele, sem o seu entusiasmo e empenhamento - a vários níveis - sem limites). Creio que será lançada durante o festival MoteLX que começa na próxima semana. Já agora e sobre este evento, refira-se que o seu crescimento sólido, sustentado pela equipa que o produz, o torna neste momento como um festival bastante interessante. Provavelmente, o melhor, no capítulo do terror e do fantástico em Portugal. É ir ver para comprovar.

26 de agosto de 2009

TÍTULOS

Só me impressionam os dos livros.
Como o próximo do Lobo Antunes: "Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar?".
Mesmo que livro venha a não valer um caracol, só o título já merece ser emoldurado.
DA IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO

Aparentemente todos os intelectuais portugueses (a ajuizar pelas entrevistas) se deleitaram com Proust e os teóricos construtivistas na infância.
A pergunta que se coloca é quantos leram as aventuras de "Guilherme", de Richmal Crompton, publicadas durante décadas em Portugal?
Não devem ter sido muitos, ou as soluções para as trapalhadas do país seriam por certo mais criativas...

24 de agosto de 2009

O PROBLEMA DA UNIÃO E O DA LÍNGUA DE TRAPOS

Cavaco Silva acaba de vetar alterações À lei das uniões de facto. Porque transforma este contrato civil num "paracasamento". No seu comunicado o presidente da república alega que as duas coisas não são comparáveis e por isso qualquer aproximação lesaria muitos cidadãos. Não nega as estatísticas (porque não pode)que apontam na direcção do crescimento deste tipo de união, mas nega a igualdade de tratamento.
Nenhum de nós espera que o antigo primeiro-ministro que (tal como Santana Lopes, Deus lhe cubra o gel de bênçãos...) foi ao Vaticano beijar a mão ao papa, e está casado com a mesma pessoa há décadas, reconheça que duas pessoas livremente unidas, sem padre, seja uma coisa a sério. Já na lei do divórcio a orientação foi a mesma.
O que nós dispensávamos, no homem simples, do povo, que se formou e progrediu com trabalho era o discurso hipócrita. O que diz que a razão do seu veto está em proteger os casais em união de facto e que "uma opção de liberdade a que correspondem efeitos jurídicos menos densos e mais flexíveis do que os do casamento".
Não seria mais fácil falar verdade e dizer que aos seus olhos e aos do seu Deus, há a união abençoada e o concubinato. E que se toda gente optar por este, os padres ficam ainda com menos poder e o Vaticano contará ainda menos?
Liberdade de veto sim, mas não é preciso mentir nas razões. Já somos todos grandinhos, não?

19 de agosto de 2009


A IMPORTÂNCIA DA CRÍTICA

Os blogtailors apontam-nos para a Pó dos Livros que lembra uma coisa intemporal: a crítica é um fruto do seu tempo e do gosto dos seus agentes. Aqui citam-se exemplos. Mas poderíamos falar de Eça, de Miguel Torga ou de Jorge de Sena, para não ir tão longe, todos acolhidos com desconfiança à data da primeira publicação das suas obras.
É preciso entender este fenómeno e ler com algum distanciamente. O Tempo será sempre o principal crítico de um trabalho artístico.
DAS ESCUTAS

Que Portugal é um país de comadres, já se sabia. Logo, tudo de ouvido à coca, a ver se descobre o podre dos vizinhos, para poder ir contar. Nisto difere de outros povos, já que não procura nesse revelar mais do que obter estatuto como "denunciante", logo, "honesto". Foi assim, desde a Inquisição. Vizinhos vigiavam vizinhos de forma a protegerem-se dos seus "malefícios". Fossem de comer porco à sexta-feira, fosse de se não acreditar que um relicário pudesse curar paralíticos.Fosse até de pensarem que eles poderiam ser os próximos a merecer ir para a morte
Morreu muita gente, por isto.
A Pide não foi mais do a oficialização deste procedimento.
E, mais recentemente, o SIS tomou para si esta função. Com a desculpa dos terroristas e dos Muito Maus e o beneplácito dos governos.
Sim, muitos portugueses são escutados, espiados nos seus trajectos na Internet devassados sem que juiz algum tenha conhecimento. Simplesmente, porque as máquinas estão ali à mão e podem.
Daí aos jornais, nomeadamente aos cor-de-rosa e de escândalos vai um passo. Um pequenino que,segundo muitos, é constantemente transposto. Sobretudo se houver dinheiro envolvido. E há, provavelmente, quem pague por estas informações. Seja por uma conversa presidencial seja pela vida privada de uma actriz de telenovelas.
Quando foi decretada a ditadura militar no Brasil e se formou uma polícia política, um conhecido estadista disse que o problema não era de quem a polícia os queria proteger, mas sim, quem os protegeria DA polícia.
Continuo a achar, ao saber dos relatórios da Amnisitia Internacional e ver as leis que abrem caminho ao controlo de todos os nossos movimentos, que cada vez mais esta frase fará sentido.
Quem nos protegerá dos homens que são polícias?

13 de agosto de 2009

O PROBLEMA DAS PEVIDES

Já quase ninguém come tremoços e menos gente ainda, pevides. Tomei consciência disso, ao derivar inesperadamente para o super do El Corte Inglês que tem como curiosa característica devolver-nos algumas coisas boas que deixámos cair. Queijo com cardo, por exemplo. Ou tomate seco. Ou beldroegas (mais para alentejanos...) e coisas desse género. Se em vez de escritor fosse, digamos, assessor ou até motorista de um ministro, era certo que me abasteceria ali mais vezes. Assim, olha: pode ser que um dia o Mini-Preço...

ps: ah, isto tudo para dizer que foi só começar a comer nelas para me lembrar que sou completamente viciado. À primeira mordiscadela na pele com sal, já me tinha desgraçado.
SOBRE ARGUIDOS ELEITORAIS

Não consigo ver nada mais complicado que tentar governar a coisa pública em Portugal, se a razão for a honesta motivação de criar progresso. É por isso que a maioria dos que entram em frenesim pelos postos em vista não sofrem dela. Alguns, sim, felizmente para nós. Mas poucos.
Que a lista de Manuela Ferreira Leite contenha APENAS dois arguidos, não me parece mal. Afinal, nas alas do partido não deve haver muitos que não o tenham sido. Em todos os partidos há manigâncias, gente corrupta e amigos das negociatas com empreiteiros e clubes de futebol (veja-se o caso Felgueiras, por exemplo). Mas, admitamos, o partido actualmente liderado pela velha senhora é o campeão. Uma pesada herança deixada pelos tempos do cavaquismo que as pessoas insistem em esquecer. A época em que os rios de dinheiro que vinham da Europa chegavam às autarquias, antes de se sumirem pelo chão esburacado das obras desnecessárias.
A pergunta que os portugueses, descontentes com a governação socialista, devem fazer, na minha opinião, é se querem ser governados por esta gente. E votar em conformidade com essa constatação.

12 de agosto de 2009

ROMANCE ACABADO E ENTREGUE. A MINHA PARTE ESTÁ FEITA

Preparem-se, almas delicadas, porque em Outubro podem muito bem vir a comprar por engano,numa livraria qualquer,

"O MUNDO BRANCO DO RAPAZ-COELHO"

E aí... Será cada um por si :)

Pronto. Está dado o alerta.



(foto de David Lachapelle)

11 de agosto de 2009

SOBRE O PORTUGUÊS E O MEC

Pensámos estar perdido, nós o que crescemos e aprendemos com as suas crónicas, bem mais educativas do que o penoso estudo das orações em cima dos Lusíadas (invenção genial que terá feito - espero- arder num espeto para a eternidade o seu pedagógico inventor...). Mas aos poucos, com as suas mini-crónicas, o M.E.C. tem demonstrado estar de volta. Ainda bem para nós.
Um dos exemplos foi esta crónica que copio do Ciberdúvidas e que reproduzo com a devida vénia (uma vez que o Público fez o favor de se adiantar e pagar o autor):

"ESPARGATA ESPARGUETA
Queria escrever esparregata mas o único dicionário que tinha à mão, o da Academia [das Ciências de Lisboa], não me deixava. Telefonei a um ginasta amigo que me explicou que "esparregata" era só para o caso especial em que se escorrega num bocado de esparregado. Para todas as outras ocorrências, envolvendo espargos ou não, é espargata que se deve escrever.

Mas também não vinha espargata. Como sempre, foi o Ciberdúvidas que salvou o dia. Encontrou-a, mas só num dicionário, no melhor de todos: o Grande da Porto Editora (o meu anda escondido nalgum caixote, a rir-se baixinho). Carlos Rocha adianta que «nem o Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado, nem o Silveira Bueno explicam a origem deste substantivo feminino».

No blogue Língua à Portuguesa, Sara Leite propõe fundar um clube-de-otários-que-andaram-metade-da-vida-a-dizer-esparregata. Adiro já. Mas também não encontrou espargata sem ser no dicionário da Porto Editora. Diz que o termo é de origem italiana e sugere spargatta.

Não desisti enquanto não achei a origem da maldita espargata: é de spacatta, que descreve a mesma posição. Fare la spacatta é fazer uma espargata. O verbo é spaccare, que é rachar. Por exemplo, quando um desportista italiano diz ao adversário «ti spacco il culo» quer transmitir a ideia que está a pensar em ganhar.

Spargat também é a 3.ª pessoa do singular do presente do subjuntivo do verbo latim spargare, que pode ser espalhar (as pernas, neste caso). Nunca se sabe."

(artigo publicado no jornal Público, de 4 de Agosto de 2009, na rubrica «Ainda ontem». — 04/08/2009)

9 de agosto de 2009

AÇORES E SANTA CATARINA

Para quem imagina que o Brasil é apenas praia tropical e coqueiros, chegar a S.Catarina, no Sul do país pode ser uma surpresa. Agradável, mas diferente.
Povoada por açoreanos, a ilha de Santa Catarina mantém diversas tradições do arquipélago português na gastronomia, nas festas religiosas e até na forma de estar.
Para os que não foram leitores do "Rio da Glória" (ou que desistiram antes do fim...) aqui fica a segunda parte de um documentário feito para a televisão local pela produtora TAC, dessa região do Brasil, sobre as tradições dos dois lados do Atlântico.

7 de agosto de 2009

SOBRE FILMES

Tenho impressão que ainda não mencionei o facto do filme "As praias de Agnés" ser formidável. Tal como quase tudo desta mulher destemida. Fica aqui a chamada de atenção.

6 de agosto de 2009

CONVERSAS DE ESCRITOR

Como sempre acontece em época de eleições, ou quando se fala em rever o irrelevante serviço público prestado pela RTP, a empresa chega-se à frente, contrariada, e avança um programa de livros. Num canal secundário, claro, que a RTP1 está ocupada a promover o pimba.
Neste caso, o apresentador de telejornal, ao coincidir com o entrevistador do programa, chamou a atenção para ele. Ainda bem, por um lado.
Por pudor e vontade de conservar a sanidade mental, não vou dizer muito sobre a coisa. Apenas que se houvesse dúvidas sobre a qualidade de escritor do apresentador de televisão, elas ficariam esclarecidas. A forma ignara, mas sinceramente interessada como perguntou a Ian McEwan como é que ele fazia para se pôr na cabeça das personagens mulheres, e a sua insistência na questão, e se o outro teria pesquisado o assunto,não poderiam ser mais eloquentes. Ian McEwan, que deve estar habituado à asneira, lá foi esclarecendo, sensatamente, a criatura. O apresentador não só não tem um pingo de talento para a escrita, do ponto de vista formal, como não faz ideia da forma como um escritor a sério "pensa".
É o tipo de demonstração de ignorância e falta de autoconhecimento que me deixam entre a indignação (porque está a ganhar uma fortuna, paga pelos contribuintes, mensalmente, como prémio por ser péssimo) e a vontade de chorar.
José Rodrigues dos Santos não revela um pingo de inteligência ou qualquer conhecimento sobre o acto da escrita. Mas o pior é que nem sabe disso.
E o programa é igual a ele.
Tal tristeza...

ps: dizem-me que este senhor é exigente com os alunos a quem "ensina". É sempre assim, quanto menos se sabe mais se pede aos outros.

2 de agosto de 2009

FIM DE FÉRIAS...

Como diria a minha vizinha, lá muito para baixo, na escada: "prontos, já se acabaram".
Tempo de empurrar projectos para a frente, de novo.
Na verdade, nem custa assim tanto regressar.

1 de agosto de 2009

SEGUNDO A IMPRENSA (Público)...

"O empresário Miguel Pais do Amaral está “satisfeito” com os resultados do grupo Leya no mercado livreiro português e promete “uma estratégia vencedora para o Brasil”, depois de não ter conseguido entrar no mercado brasileiro através da aquisição de empresas já existentes".
Pá, ainda bem tanto mais que...
"“Fizemos várias tentativas de identificar potenciais targets [alvos] para entrar no mercado [brasileiro] via aquisição. Infelizmente, por várias razões que não interessa formular, não conseguimos. Por isso, vamos fazer uma start-up [nova empresa], com uma equipa própria que está neste momento a ser preparada”, explicou o empresário ao PÚBLICO, à margem da prova do campeonato Le Mans Series"
Tanta gentileza a responder, da bancada vip do autódromo merece no mínimo a nossa consideração.
E para aqueles que ainda pensam em livros como uma coisa ligada à Literatura:
"O empresário salienta ter “indicadores muito positivos tanto nas vendas, como em termos de margens”. “Não há nenhuma razão para alterar o que era a nossa posição inicial quando fizemos este investimento, que é ter uma posição de longo prazo”.
Relembro aqui a posição do futuro ex-ministro da cultura, quando se mostrou "contente" com a concentração de várias editoras num único grupo.
Digam o que quiserem, mas para mim, é mesmo bom viver num país tão dado à Cultura.

30 de julho de 2009

ACAMPAR

Ainda continua a ser o grande refúgio de quem vive habitualmente na cidade, não tem apego ao conforto e gosta de adormecer com o barulho das ondas contra a falésia e acordar com os pássaros. Há uns dias, ainda semi-adormecido, pude distinguir, pelo canto, três espécies diferentes. Uma variação para o habitual barulho das ambulâncias, vizinhas efusivas a cumprimentarem-se entre si e carros rua afora, que me entram pela janela de casa.

20 de julho de 2009

SOBRE A IMPORTÂNCIA DA CULTURA

Sim, há gente que sem querer nada dos poderes se dispõe a sugerir propostas para a área da Cultura de um (eventual) futuro programa de governo. Sim, há pessoas que sem se sentarem com a sua melhor roupa na fila da frente de "Reuniões de intelectuais" ou pedirem a palavra no momento certo, para largar meia-dúzia de generalidades de forma a que se lembrem deles quando precisarem de um/a director/a de casa comemorativa ou instituto, ainda assim, sugerem o que acham melhor para um desenvolvimento cultural.
E porquê?
Por terem perfeita consciência de que a Cultura é a última das preocupações da maioria dos partidos, dos empresários, institutos públicos e privados e, sobretudo, dos milhões que todos os domingos atulham os hipermercado com o que Deus lhe deu, deslumbrados com a perspectiva de consumir coisas que toda a gente já tem, mundo fora. Dão-se ao trabalho de de defender coisas básicas que todos os dias os seus colegas se queixam, por saber que também pertencem a um povo que resmunga, anafado de iliteracia, sem se dar conta que parte dos seus problemas se resolveriam se entendessem um pouco mais das coisas do mundo. Da manipulação, por exemplo.
Bastava olhar o título de um dos jornais nacionais (o Público, creio...), a semana passada, que "mostrava" como o Algarve estava vazio. Às moscas. Sem ninguém, com tudo ao desbarato. Já nem o telefone do empresário de restauração mais in tocava para lhe perguntarem onde é que seria melhor aparcar o iate. A desgraça.
SE eu não estivesse numa praia algarvia, apinhada, logo abaixo de estradas com um trânsito intenso, poderia acreditar. Ou então, se não tivesse olhado com mais atenção a foto de primeira página. Um grupo de cadeiras vazias, um ou outro passeante, para comprovar a tese. Acontece que bastaria olhar de perto para ver pela luz que a foto foi tirada ao entardecer. Quando as pessoas já deixaram o areal. Apenas para provar uma tese que seria desmentida pela objectiva.
A comunicação social todos os dias insiste em nos manipular. Se calhar, sempre foi assim, eu é que não dava por isso. Mas neste momento, convencidos de que é preciso agravar, extrapolar, hiperbolizar,as más noticias, não hesitam e mentem. A verdade desapareceu ou, pelo menos, a sua necessidade. Os editores de jornal contentam-se com a mentira que venda. Eu entendo. É preciso agradar ao patrão do grupo com números pelo menos razoáveis de venda. Mas, para aqueles que foram para Jornalismo (já agora para Direito, onde se aplica a mesma situação) porque acreditavam que era preciso dizer a verdade aos outros, talvez seja altura de alargarem os seus horizontes e deixarem essa profissão que se afundará cada vez mais, tentando levar os leitores, que somos nós todos, com ela.
É por isso que a Cultura faz falta e investir nela como uma prioridade é essencial. Para que as pessoas tenham consciência de que o mundo é maior do que a sua casa. E que nenhum de nós está condenado à infelicidade, por mais praias fazias que nos mostrem.
FÉRIAS

Já não é bem. Quero dizer, há livros para acabar, pouco dinheiro, gente a mais por todo o lado. Mas mesmo assim, ainda se parte uns dias (poucos) em direcção a uma praia, aguentando os incómodos em nome de um bem maior.
Não me queixo. Há quem esteja bem pior.
Weeeee... por assim, dizer.

16 de julho de 2009

HARRY POTTER AND THE HALF BLOOD PRINCE

È o melhor até agora dos filmes. Nada foi deixado ao acaso e tudo foi tratado com um cuidado que não existia (uma forma desastrada, diria antes) nos primeiros filmes.
Excelente fotografia, também. O Eduardo Serra é capaz de se ver à rasca para fazer melhor nos dois últimos da série.

14 de julho de 2009

O FIM DE UM ROMANCE
Julgo estar a 2 dias do fim da 1a versão do meu novo livro. Julgo, porque estas coisas são imprevisíveis.
E, pela primeira vez, já tão perto do fim, ainda não conheço o seu título.
Continua "Wind", até ver...
BRUNO
Alguém no Facebook escrevia que tinha ido ver o filme "Bruno" e regressado a casa chocado. Eu também não sou um apreciador deste género de cinema, mas se as coisas que ali acontecem ainda chocam gente "informada", então, é porque faz falta.
É a velha questão do exagero para que a hipocrisia se estilhace. É um estilo.
PARA NÃO FALAR MAIS DE POLÍTICA

Nos últimos tempos dou por mim envolvido a tomar partido pelos partidos. Quem me conhece sabe do meu cepticismo sobre os políticos em geral e sobre as cortes que os assediam por favores em particular.
Mas a perspectiva para alguém ligada à Cultura de ter Cavaco Silva na presidência, Ferreira Leite no Governo e Santana na Cãmara de Lisboa, é mais do que um pesadelo. É ter de repetir o que já fez no início da década de 90: emigrar por não conseguir respirar no meio de tanta patetice e novo-riquismo.
Por isso, vou continuar a tomar partido.
Até Outubro, apenas.

7 de julho de 2009

MOMENT OF ZEN

Os dias voam quando se corta o cabelo.
Ou pode ser apenas corrente de ar que se sente no escalpe...
A GUERRA SANTA DO BCP

Segundo os jornais, os advogados do ex-administradores do BCP acusados de diversas falcatruas no valor de pelo menos 600 milhões de euros, vão esmiuçar os vícios de forma da acusação para impedir os seus clientes de perder tempo a ir a julgamento (obviamente que nunca seriam condenados em Portugal, duuuhhhh). De um lado, os contribuintes representados pelo Ministério Público, do outro arguidos que viajam de jacto e têm contas de dezenas ou centenas de milhões de euros. Adivinhem quem vai ganhar...

6 de julho de 2009

SONDAGENS

Parece mentira, mas as sondagens dão quase o mesmo número de intenções de voto a Santana Lopes e António Costa. Ao que só fez asneiras e a ao que pegou no lixo que o outro deixou e tentou varrer o melhor que foi capaz nestes dois anos.
Os tugas, enquanto povo, já se sabe que não aprendem com os erros. Mas, aparentemente, os habitantes de Lisboa, pelo simples facto de lhes passar pela cabeça ir votar numa criatura que deu milhares de provas de incompetência e disparate, ainda estão piores.
Sugeria alguma mobilização para não deixar subir (ao que ele vê como) trono, mais uma vez. Relembro que a fome dos santanetes é grande e que perante a hipótese de apanhar descansados tachos na cãmara, não hesitarão em arregaçar as mangas à riscas...

2 de julho de 2009

DIREITO DE ANTENA

Como estamos em época de pré-campanha eleitoral para autárquicas e legislativas (Deus te ajude, Santana!) e não quero ser acusado de parcialidade, aqui publico este vídeo, algo datado, mas uma justa homenagem dos Contemporâneos ao esforço cíclico dos militantes do psd. Uma sentida homenagem, 2 em 1, ao partido e ao Michael Jackson que Deus tem (e Ele que ajude, lá de ciiiima, Santana!... Ah, espera, já tinha dito isto...)

1 de julho de 2009

KJFG

É um dos meus filmes favoritos, o "KJFGnº 5" (o mais parvo, pelo menos). E isto é uma variação da mesma série.
Lol!

TAMBÉM CARMONA SE PERFILA (O QUE PARA O PESSOAL QUE IA À ESCOLA ANTES DO 25 DE ABRIL E TODAS AS MANHÃS SE PUNHA DIANTE DE ALGUMAS FOTOGRAFIAS OFICIAIS, É UMA JUSTIÇA POÉTICA) PARA A CML.

Atendendo ao seu desempenho em Lisboa, em 2006, receia-se o pior...

SANTANA APRESENTA HOJE (OUTRA VEZ) A SUA CANDIDATURA À CÂMARA

Agora que se lembrou de fazer as contas para descobrir que o buraco de milhões que deixou, afinal, não tinha sido ele a começar a cavá-lo (demorou um bocadinho, mas já se sabe que entre eventos sociais e ir à carpintaria arranjar a cara de pau, o tempo foge...) e que já todos os portugueses esqueceram a sua actuação feita à pala do Sporting, do seu gosto pela música de cordas de Chopin e de ter sido o primeiro chefe de governo a ser despedido desde o 25 de Abril, está de volta.
Pela minha parte concordo. Acho que há muito boa gente, entre a Lapa e as vivendas do Parque das Nações que se revêem na sua candidatura.

Infelizmente, esta notícia pode provocar outro tipo de reacções a nível internacional...

30 de junho de 2009

ATÉ ESCREVI NAS COSTAS DE UM PAPEL

...para não me esquecer, de tal maneira a frase de um dos responsáveis da comissão de trabalhadores da fábrica de Palmela me pareceu certeira:
"Os sindicalistas tentam não perder tudo o que conseguiram com o PREC... e o patronato quer recuperar tudo o que perdeu com o 25 de Abril. Por isso não se entendem"

Onde se prova que numa frase se pode sintetizar os movimentos laborais em Portugal. Não sei como é que o senhor se chama, mas merecia uma placa num sítio público.

28 de junho de 2009

ENTRE O QUE SOU E O QUE ESCREVO

"Devias escrever coisas cómicas", dizem-me às vezes. E eu concordo. Gostava, até. Seria mais feliz enquanto o fizesse. O problema é que a gente não escreve o que quer. Dá voz a coisas que não são nossas, a pessoas que não existem neste mundo, mas ainda assim "são". Confiam em nós para repetirmos palavra por palavra o que nos sussurraram. Mesmo as coisas dramáticas e, frequentemente, desagradáveis.
Gostava mesmo de escrever romances só com coisas alegres. Suspeito, contudo, que o mundo das coisas invisíveis é capaz de ser mais sombrio e inquietante do que gostaríamos de admitir.
Escrevo o que posso. Mas, sim, gostava de me rir enquanto teclo.

26 de junho de 2009

DE BARCELONA A BILBAO

1. Estava calor na cidade grande. Mas chega-se lá sem custo, deslizando pelo autocarro que nos deixa à porta do Hotel, ou quase, e depois a pé, de Metro.
Durante muito tempo achei que Barcelona tinha menos graça que Madrid. Era o único a pensar assim (tirando os madrilenos), mas persisti. A cidade era interessante, eu é que por esses dias era outro.


As ramblas, inevitáveis, a atrair turistas como ímans. A comê-los nos preços dos restaurantes e das carteiras que subitamente voam, também.
Por todo lado, Gaudí. As casas onduladas, os animais bizarros, estilhaçados a porcelana colorida.
Andar. Andar

2. Ninguém no seu juízo normal iria de propósito a Bilbao, não fosse o museu Guggenheim. Mas sem razão, como adiante se verá. E sim, vale a pena pela arquitectura do Gehry. Um bocadinho à semelhança do maluco de Barcelona, também aqui as formas são desafiadas. A titânio, claro, que ele é mais fino (por alguma razão atraiu um palhaço-presidente de câmara...). Perguntamo-nos quanto terá ele recebido por aquela obra. Muito, de certeza. Mas valeu a pena, por nos transmitir a constatação de que o homem pode pensar grande e sair-se bem.
No interior, as obras sucedem-se. Destaque para a instalação,em que colunas luminosas passam poemas em letras vermelhas que, por sua vez, se reflectem a azul ao fundo.Mas são tantas as coisas... É bom, visitar grandes museus de arte contemporânea (uma passagem rápida pelo Rainha Sofia, um dia depois, ajudou-me a verificar isso) para se perceber a diferença entre o talento e o bluff. O que é bom salta aos olhos, não interessa se foi feito agora mesmo ou há centenas de anos. Do meu ponto de vista, o contrário também.



Bilbao é sossegado como Braga ou Viseu. Sem os desvarios arquitectónicos da primeira, à vista, pelo menos. O museu de Belas-Artes tem uma boa colecção de pintura que justifica completamente a visita. E são simpáticos, com aquela bonomia da província nortenha que sabe bem. Recomenda-se.

19 de junho de 2009

DO IRÃO

A Pérsia é difícil de controlar. O pêlo na venta e a força imparável é anterior a Alexadre. Daí que os últimos 30 anos de ditadura não tenham sido fáceis de manter para o regime ultraconsevador dos barbudos. Fizeram as mulheres recuar séculos (ou tentaram), calaram todas as vozes não só que apontavam, mas que viviam na modernidade e por aí fora. Fizeram-no como todas as ditaduras, à força de raptos, prisões ilegais e tortura. Ler Persópolis, para entender melhor a coisa.
Entrevistado por uma mulher (bem-feito), na Sic, o vice dos negócios estrangeiros, que tinha vindo visitar a aldeia Tuga em busca de mais dinheiro (também vieste bater a boa porta, vieste...) lá foi respondendo à "incompreensão ocidental do seu povo, nos últimos 30 anos". Interrogado sobre a razão porque permitiam as autoridades que mulheres fossem lapidadas até à morte, o homem lá encolheu os ombros e referiu que os juízes locais "até davam indicações para que a sentença (dada por eles?) não fosse executada. Mas que "era um direito das famílias, por ser crime de honra...". Ficamos sem saber se ele pessoalmente estava de acordo, mas, de certeza, que não era coisa que o chateasse por aí além.
E há outros momentos de grande justiça, basta dar uma vista de olhos pela net...
É por tudo isso que os muitos milhares de manifestantes que arriscaram a vida nas ruas de Teerão significam muito mais do que possa parecer.

Ps: E não haverá um país que apedreje (vá lá, até que lhe venha a razão, pelo menos...) gordos estúpidos que contribuem para a opressão dos seus povos em nome do seu Deus particular?




(É este o pequeno detalhe democrático que não chateia o senhor)



(imagens da versão de "Will & Grace" no Irão)

18 de junho de 2009

BANCO DE PORTUGAL OU ALARVEIRA TEM DOIS SENTIDOS

O governador do Banco de Portugal veio, depois de levar porrada no parlamento pelo penteadinho do cds (o partido que mais virgens tem, nos homens, pelo menos, deduzo ser por isso que adora fazer "cara séria"...) veio prometer um novo rumo. Segundo ele, daqui para a frente vão começar a controlar os bancos de forma a que as falcatruas sejam menores. Para isso, vão... fazer o mesmo que o ano passado: verificar 10 bancos. Até já começaram a dizer quais. Assim, sempre dá tempo a que maquilhem as manobras com paraísos fiscais.
Sabemos que Vitor Constâncio é apenas o rosto que encima a pilha de incompetentes ali produzida pelos vários governos psd e ps. E que provavelmente estaria descansado, até agora, ao ir para casa todos os dias, no carro de alta cinlindrada, com motorista pago por nós, seguro de que mereceria os (creio) 17.000 euros mensais, além do subsídio de Natal e de férias no mesmo montante. Mas, não lhe passará pela cabeça que o seu indecoroso salário num país em que milhares de pessoas passam mal todos os meses, a ganhar menos do que o salário minimo, justificaria outra atitude?
Não há nada de pessoal nisto, mas um pingo de vergonha na cara, seguido de um pedido de demissão só lhe ficaria bem.

ps: claro que Sócrates tem razão ao admirar-se com a forma simpática com que os ex-barões do psd foram tratados pela mesma comissão de inquérito que agora se mostra tão "firme" no chatear de Constâncio. Deve ser por pensarem que só por acaso não são eles a estar ali com a careca à mostra.

15 de junho de 2009

RELEIO ESTA PASSAGEM DO ROMANCE...

"Foi nesse instante que se lembrou do que o pai costumava dizer quando voltava da caça: Os bichos andam por lá, mesmo se a gente não os vê. Sempre. Escondidos no meio das ervas, enfiados em tocas, emboscados no que podem. Por isso, só o que resta a um homem é pegar na cartucheira e no peso das coisas que carrega e meter-se ao campo. E são os animais que acabarão por se vir matar contra a espingarda."

...E é daí que que volto a escrever.

12 de junho de 2009

ESTÁ CALOR...

O romance caminha lentamente por cima da mesa da sala. Volta e meia vou fazer alguma coisa que me distraia, que afaste o sono.Depois volto à escrita.
O dia passa lá fora. Penso que seria boa ideia ir à piscina, mas a inclinação da rua e a perspectiva de ter que desencantar o equipamento, algures, faz com que a coisa se vá adiando. Ponho personagens a comer no meio de campos secos, claro. Esperava-se o quê de um escritor ensonado de calor?
Gosto do Verão.
Não gosto do Verão.

8 de junho de 2009

ELEIÇÕES EM PORTUGAL

Há pessoas que se interrogam sobre a forma como foi possível fazer uma revolução (quase) sem sangue em Portugal, em 1974. E a resposta é relativamente simples:
somos um povo danado para a alegria e que nunca se convence da derrota!
Basta ver o contentamento dos partidos políticos, ontem, após os resultados: ganharam todos. Mesmo os que perderam. Há sempre uma coisa positiva ou negativa para dizer num país de faz-de-conta.
Foi bonito, até...

6 de junho de 2009

KUNG-FU

Lá morreu mais um herói televisivo da nossa infância longínqua, David Carradine, também conhecido como "Gafanhoto". O Sinal do Dragão (na versão portuguesa) era muito apreciada, e aumentou substancialmente o interesse pelas artes marciais, não mencionando brincadeiras entre os putos que acabavam, naturalmente, em porradaria mútua.
Morreu em Banguecoque, sufocado (embora, provavelmente, contente). Cada um vai como pode, desta para melhor. Mas esperava-se mais resistência do homem capaz de aguentar uma braseira de ferro com dragões entre os braços...

Ps: e onde se prova que até a televisão pode se premonitória.

3 de junho de 2009


CEREJAS

Chegam-me das Beiras, deliciosas e autênticas, com aquela evidência que na cidade se extinguiu. Umas puxam as outras, a barriga é que padece. Não interessa. Chegam em sacos, vermelhas, com folhas verdes, irmãs mais velhas a assegurar que serão comidas com dignidade. Secam-se as irmãs, agarradas aos tronquinhos, enquanto elas dançam e se somem pelas nossas bocas abaixo...
NA CASA DE BANHO...

...leio no suplemento Ipsilon, sobre uma "revelação" do fado. Uma maravilhosa rapariga de 24 anos, blá, blá. Não a conheço, mas terão por certo razão: aos 24 anos tudo em nós é revelação. E, claro, nos breves momentos em que resplandecemos, inconscientes, senhores do mundo por um instante, atraímos à nossa volta toda a espécie de mariposas. Algumas escrevem em jornais.
Nós, os tugas, só admiramos a "revelação", a"surpresa/pedrada-no-charco", a novidade com prazo, em resumo. Quando as cantoras crescem e querem mostrar novas coisas, afinal já não são assim tão boas, nem tão interessantes. Os mesmos que lhes disseram que elas (e, frequentemente, as suas pernas - virtuais, claro) eram "sublimes", já passaram ao prato seguinte.
No fundo, não passamos de uns hippies de cidade a saltitar, ora deliciados ora a torcer a boquinha, por pomares de fruta verde.
Coitada da fadistinha. Coitada.

27 de maio de 2009




O VÍCIO DO PINGUEPONGUE!
Mais valia largar-me a fumar, diabo de cegueira!!
SANTA CATARINA

Hoje dei o meu testemunho, num documentário brasileiro, sobre as ligações entre os Açores e o estado de Santa Catarina. Foi uma conversa com o mar atrás, a lembrar a possível razão das similitudes entre os povos dos dois lados do Atlântico. Além da gastronomia, das tradições culturais e religiosas, claro.
Fica-se sempre bem, quando se fala de coisas de que a gente gosta.

24 de maio de 2009


ARENA

São 19.45h. Dentro de 15 minutos, as televisões portuguesas vão anunciar que o filme ARENA de João Salaviza ganhou a Palma de Ouro de Cannes.
Eu sabia, quando seleccionámos o filme para estrear no Indie, que se tratava de um belo trabalho deste jovem realizador. Também o avisei, após a selecção em Cannes que bastaria isso para que o circo lhe caísse em cima. Faz parte da coisa. Bom, calculo que as coisa vão aquecer para ele, ainda mais, a partir deste momento.
Estou muito contente, é um miúdo com ideias e modesto. Coisa mais do que rara: raríssima, no cinema português. Parabéns, João!
AMOR DE PERDIÇÃO

Para quem não viu, torna-se urgente não perder esta versão cinematográfica, de Mário Barroso, do romance de Camilo.
A fotografia, absolutamente soberba, como de costume (prejudicada, aqui e ali, pelo uso do vídeo em detrimento do 35mm, mas ainda assim excelente).
Os actores jovens estão formidáveis, com destaque para o protagonista. Há um ou outro canastrão como o Vírgilio Castelo ou o Rui Morrison (spervalorizado, no meu enteder), mas nem assim o filme se escangalha.
Infelizmente, para quem viva em Lisboa, só resta a projecção no cinema Nimas: em cópia rasca de vídeo, com a forma de um trapézio que faria corar qualquer exibidor que não fosse Paulo Branco. Pedir 6 euros por uma projecção de tão baixa qualidade é um bocado falta de vergonha, para não dizer outra coisa. Mário Barroso, merece muito mais do que este produtor/exibidor, mas isso é, claro, um problema seu,
A nós, resta-nos aplaudir este excelente filme.

22 de maio de 2009

CHIC A VALER

Os polícias desciam a avenida entoando cantos futebolísticos, quando passou a Bárbara Guimarães.
"Bárbara! Bárbara!", gritaram excitados.
Ela, coitada, sorriu e lá passou pela turba.
Em seguida, eles rebentaram em "Heróis do Mar, Nobre Povo, Nação Valente, Imortal!!!
Está certo.
MUDE
Abriu, ontem, o museu do design, na baixa de Lisboa.
Não devo ter percebido qualquer coisa... Por exemplo, por que razão estão as peças expostas numa casa em obras?
É que se me dizem que aquilo é para ficar assim e que pagaram a um macaco qualquer (de nome muito cotado, claro) para fazer aquela merda, vou ficar um bocado chateado. Já nem digo em nome do bom-gosto, mas do mais elementar bom-senso... Com artistas a passar fome, penhorados pelas finanças, pagar por aquilo, é, simplesmente, ofensivo. Mas devo estar enganado.
Alguém que me esclareça, por favor.
SOBRE A PROFESSORA DE ESPINHO

Vi agora o video com a gravação da senhora e resolvi substituir o que disse. De facto, o que referi antes, sobre as razões porque os pais se indignam e movem, mantém-se para a generalidade das questões e os vídeos em baixo, mantêm-se para aquilo em que se tornaram as salas de aula. Contudo, e como bem me chamaram a atenção (obrigado pelos comentários, que entretanto desaparecem, mas que registo) o problema ali é outro. Uma professora desequilibrada, que não deveria estar a ensinar e ainda não foi para casa.
Há muitos casos assim. Uns por falta de formação, a maioria, de vocação, e uma quantidade crescente que, simplesmente, se está a passar. Era preciso ver caso a caso e tomar as medidas necessárias. O que não acontecerá tão cedo, claro.




ou isto...

17 de maio de 2009

PARA QUÊ UM MINISTRO DA CULTURA?
... se cada vez mais os portugueses confundem ruído com cultura?
De que serve pagar a alguém, se ela não se chega à frente para dizer às pessoas: "No que toca ao Cinema e à Literatura, só para falar de duas das coisas, há bom e mau, abram os olhos!"?
Queremos lá saber se vamos ter um museu dos coches mais ou menos luxuoso, quanto há milhões de portugueses que nunca ouviram falar em Ruy Belo ou em José Rodrigues Miguéis?
De que serve pagar um motorista a uma pessoa que não vai ter com os pintores, escritores ou dançarinos para lhes dizer: "O tempo é de crise, o engenheiro não tem dinheiro para desperdiçar com coisas desnecessárias, a saber, a Arte, mas eu estou convosco e vou passar a notícia da necessidade de vos manter a trabalhar"?
Digam-me, vocês. Pelo que me toca, pode começar a poupar-se desde já com a sua extinção definitiva.
PORTO SANTO

Nunca ali tinha ido. Há muito que os amigos me prometiam areias douradas e um mar azul-turquesa. Era tudo verdade. Isso e mais a vegetação rasteira e os pássaros e insectos que por ali vivem, estranhamente perto.
A simpatia das pessoas da ilha, também.
Mas percebe-se que o "atraso" económico se deveu aos mais de 20 anos em que a ilha votou diferente do resto da Madeira (creio que no Ps, não tenho a certeza). Não é preciso um panfleto para sentir o garrote que a ditadura Jardim e a sua corte de sanguessugas deverão ter infligido a esta ilha, que tem tudo para ser extraordinária. Desde 97, a cãmara é PSD,deduz-se que a partir daí algum do dinheiro que alimenta o reino das bananas ali terá chegado.
Mas, assim de repente, tenho dúvidas que a burguesia funchalense abra mão da sua colónia... de férias e deixe que Porto Santo brilhe pelas suas belezas naturais intocadas; que lhe permita progredir de forma ecologicamente equilibrada, sem o cimento que destruiu quase toda a encosta sul da principal ilha do arquipélago.
A ver vamos, como diria o cego.

8 de maio de 2009

FEIRA DO LIVRO

Entro nela sempre contente. No meio das acácias e da relva. Mas à medida que atravesso o ruído dos pavilhões (melhorados, é certo) e desço pelo supermercado Leya, fico cada vez mais deprimido.
É como visitar uma amiga com uma doença incurável e para quem imaginamos sempre melhoras improváveis...
URBANO, OBRA COMPLETA

Saiu mais um volume da "Obra Completa" de Urbano Tavares Rodrigues.
Desta, vez, encontramos reunidos num só volume, "Uma Pedrada no Charco", "As Aves da Madrugada", "Bastardos do Sol" e "Nus e Suplicantes". Este último título corresponde à 1a edição (nas versões seguintes, o final aparece alterado).
Há cada vez menos desculpas para passar ao lado de um autor fundamental da Literatura Portuguesa.

6 de maio de 2009

AMANHÃ, 7 DE MAIO

Acontecerão duas coisas positivas.
Uma delas é o meu encontro com leitores na Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, em Lisboa, pelas 19h.
Vamos falar de livros, entre outras coisas.
A segunda, tem uma origem mais antiga :)
OS AMORES DE SALAZAR...

Obviamente que, em primeiro lugar, se duvida que aquele ranhoso de Santa Comba tenha tido uma vida amorosa por aí além. Criadas, pegas de luxo a entrar pelas traseiras e uma ou outra louca disposta a distraí-lo do silício, é mais provável.
Mas o que diabo interessa isso ao país e ao cinema português?
Nada.
Mais, enquanto tivermos gente viva que apodreceu nas prisões, e toda a a outra que entristeceu num país sem esperança, é obsceno que se façam séries e filmes destes.
Sim, tudo é passível de ser representado, mas esta patética história, a tão pouco tempo histórico do fim da ditadura é uma tristeza.Não me espanta que a falta de vergonha promova produtos destes. Mas só uma palavra descreve estas promoções que nos metem pelos olhos dentro: nojentas.

5 de maio de 2009

VASCO GRANJA

Encalhei hoje na notícia. A foto na capa do jornal.
Não fiquei surpreendido, sabia, por portas e travessas, que se encontrava internado há algum tempo. Mas ainda assim.
O Vasco Granja deu-nos seca, é verdade, com alguma animação experimental, mas pelo menos, mostrou-nos que existiam outras coisas. Tínhamos direito ao nosso doce, no fim da programa: Fritz Freeling (creio que se escreve assim), frequentemente.
Crescemos a ouvir o senhor, numa televisão que, sendo a única, sentia, no meio do seu desgoverno, que tinha uma missão. Vasco Granja alterou o nosso vocabulário. Deixámos de dizer "desenhos animados" e passámos a falar em "animação".
E, ninguém o substituiu até hoje. E é pena.
Chegou ao fim da vida.
KONIEC



DEPOIS DO FESTIVAL...
vem a bonança...

3 de maio de 2009

BRAVE, BRAVE, NEW WORLD

Percebe-se a tentação de controlar a Internet, da parte de tanta gente. Pensar pela sua própria cabeça? Ter acesso ao que antes estaria apenas ao alcance de alguns? Poder invetigar até ao fim as coisas que se agitam no interior de nós? Crescer com isso? ... Perigoso.
Mais perigoso ainda, não ser tão manipulado, dada a pulverização da informação.
Penso nisto, enquanto vejo um filme de animação soviético dos anos 30. Dez anos atrás, menos, provavelmente, teria de esperar que os programadores da Cinemateca se lembrassem dele, para me "permitirem" ver. Hoje, precisei deste computador de onde escrevo e de uma ligação à net.
Está para breve, o fim de tudo isto. Não tardaremos a só poder ver o que políticos, empresários e quem vive à nossa custa, quiser. Mas vivamos, por ora, estes nossos anos hippies.
Imaginação ao poder, enquanto dura.

28 de abril de 2009

OUSADIA...

é o que aconteceu hoje no cinema S.Jorge. mais de 400 miúdos, habituados a tudo menos a música clássica e muito menos a coros, ouviram em silêncio, antes da sessão de cinema 4 (quatro) temas, tocados e cantados pela orquestra e coro de cãmara do Colégio Moderno. Duas solistas (uma delas, cantou fado à capela)conseguirem ser aplaudidas por esta plateia, desculpem lá, mas é quase voltar a dobrar o Bojador.
Era isto o que poderia ser o meu país, se não fosse povoado pela cobardia fanfarrona.

22 de abril de 2009

PEÇO DESCULPA PELA INTERRUPÇÃO (PROVÁVEL) DOS PRÓXIMOS DIAS...

...mas há um festival a consumir a semana que se segue.
Como diriam os mais pequenos... "É buééééé´daaaa Indieeee!"

20 de abril de 2009

É BOM SABER QUE OS BANCOS ESTÃO A FAZER DISPARAR OS SPREADS

Já andava preocupado com os banqueiros e investidores. Qualquer dia teriam de começar a conduzir o próprio carro ou a ir de executiva para as Caraíbas, em vez do jacto privado de sempre...

19 de abril de 2009


NOTÍCIA BOMBÁSTICA!!

Uma das primeiras notícias do jornal da tarde da SICnotícias foi a da actual governadora civil de Faro ter "sido multada por andar a 87 km por hora, no seu carro particular". Wuuuuu... É prender já esta louca do volante!!! Ainda bem que os gnrs estavam escondidos atrás de uma paragem de autocarro da terra e os media super-atentos. O que seria de nós sem esta denúncia grave?
Ainda há quem ache que os cursos de Comunicação Social em Portugal são fraquinhos. Ná, é impressão...
VEM AÍ O INDIE...


A festa de apresentação foi de arromba. Centenas de pessoas, boa música e melhor ambiente até às tantas. Não falando do pinguepongue nem dos matraquilhos.
Para a equipa que trabalha há muitos meses para fazer deste o melhor festival de cinema, foi um momento de alívio e o prenúncio de que as coisas vão correr pelo melhor.
Venham os filmes.

15 de abril de 2009


CORIN' TELLADO

Morreu, aos 81 anos, de forma coerente, de paragem cardíaca. Foi A escritora del corazon. O resto, por mais que se pele e venda entre nós, os tugas, nunca conseguirá descrever de forma tão arrebatadora o encontro entre o trintão de suíças com fios de prata e a jovem ingénua de olhos ora cor de violeta ora cor de avelã.
Quando comecei a publicar e os jornalistas "sérios" (sim, sim, já existiram, sei que parece mentira, mas não percamos a esperança, porque um dia... ó, um dia...)me queriam impingir referências ao Boris Vian e ao Flaubert, eu só respondia, a rir, que tinha lido muito era Corin'Tellado. E era verdade.
Repousa lá no assento etéreo onde subiste, asturiana romântica, que nós ficaremos cá na terra sempre tristes, sempre na esperança de encalharmos um dia nuns olhos claro, num perfume estranhamente familiar, à beira de um lago que mergulhe no ocaso.

ps: Apesar de não ser (julgo) da referuda senhora, achei que esta capa correspondia melhor ao sentimento.

13 de abril de 2009

BURRICE A DOBRAR

Hoje, a propósito da programação do IndieJúnior *, um colega chamava-me a atenção para um fenómeno a que os portugueses sempre conseguiram escapar e que as televisões portuguesas estão a enfiar, aos poucos: a dobragem.
Caso não tenham reparado, cada vez são mais os filmes (de momento, para crianças... por assim dizer, se considerarmos os trabalhos da Pixar, obras infantis) que passam dobrados na televisão e no cinema. Começaram com as animações e já vamos nas longas-metragens em imagem real. Em breve, teremos versões dobradas de filmes generalistas, até que o público, embrutecido, não aceite outra coisa. Foi assim com a Espanha, com a Itália e por aí fora. A única originalidade positiva deste país é finalmente destruída. Devagarinho, para não dar nas vistas.
Sim, a televisão é cada vez mais um sinónimo de burrice e embrutecimento. Mas é preciso não esquecer que é ela também quem "educa" a maioria da população. O que significa que aquilo que neste momento é uma opção, ver um filme em versão original no cinema ou em versão dobrada, acabará por existir apenas com a voz dos actores menores, mais ou menos conhecidos, que vivem desse expediente ou que aproveitam para ganhar mais uns trocos a imitar o trabalho de outros, de qualidade a milhas da deles.
Nunca a expressão de Orwell se aplicou tão bem: é mesmo O Triunfo dos Porcos.

* aos pais e professores distraídos, só digo 3 coisas: a) de 23 de Abril a 3 de Maio, b) o melhor do cinema mundial para a infância e juventude, c) www.indiejunior.com

11 de abril de 2009

NO FORNO DE LENHA

Estou à espera que os últimos bolos alentejanos ("costas") saiam do forno. Também arrisquei, juntando uns suspiros (alguns cobertos de canela), em último, como manda a tradição e a lei das temperaturas. Veremos.
O pão ficou bom: come-se bem, apenas com manteiga em cima.
Isso traz-me à cabeça a lembrança de um escritor meu conhecido que me despreza ligeiramente por não me drogar, furar com piercings ou, pelo menos, fumar. É verdade, não faço nada disso. Mas regressar com um tabuleiro de pão acabado de fazer, do forno até à casa, debaixo das estrelas frias, também me dá pedra. Não sei é se isso conta na contabilística urbano-depressiva ;)

10 de abril de 2009

8 de abril de 2009

NA PROVÍNCIA
com uma lareira na frente, ainda que apagadiça, o Tempo descansa um bocado.
E a gente com ele.

7 de abril de 2009

NO TIME
para organizar os múltiplos braços da roseira em que vivo.
Devorado pelo tempo que me leva o alimentar das raizes estou sempre a espetar os espinhos na carne ao lembrar-me que sou homem e que os homens caminham, quando não voam...

6 de abril de 2009

SOBRE A CAMPANHA ANTI-SÓCRATES

Primeiro que tudo... é óbvia. Quando um ex-ministro do PSD recebe em casa polícias da Judiciária para ver de que maneira se há-de lançar uma investigação contra o primeiro-ministro, só por acaso do PS, está tudo dito. Tudo se tem tentado para provocar o desgaste e a respectiva renúncia. Começou com as insinuações de Santana L. sobre sexualidade colorida do candidato concorrente, passando pela forma como obteve a licenciatura e agora a história de uma hipotética ligação a um caso de corrupção. Vale tudo. À hora que escrevo andavam os "jornalistas" a escarafunchar sobre a mãe do homem. Calculo que em seguida seja a namorada e depois os filhos. O que for preciso.
Não, não há políticos totalmente honestos e isentos de culpa. Tal como desapareceram os jornalistas que se interessavam pela verdade, do nosso país.
O que conta agora é a capacidade de produzir barulho, de se deitar abaixo quem está a ganhar mais do que nós para nos sentarmos na sua cadeira, aparentemente dourada. Até que chegue a vez dos que manipularam para o derrube serem por sua vez derrubados pela manipulação.
Para falar verdade, mete tudo um bocado de nojo.
Quando fizerem cair o Sócrates haverá uma resma de Santanas à espera. E, como as coisas estão no mundo, que os deuses nos protejam...

2 de abril de 2009

2 de Abril

Sempre que penso retrospectivamente nesta data, vejo-me a caminhar com a minha melhor roupa, bairro afora, a bater à porta dos meus amigos e vizinhos, a perguntar-lhes "se querem ir mais logo à minha festa" (que terá sandes de queijo ou fiambre e sumos e laranjada. Tenho sempre um pullover azul, tricotado à mão, sem mangas e não vou particularmente feliz, enquanto caminho pela terra batida.
Mas houve muitos outros. E alguns foram felizes.
O de hoje está a ser pacífico. Já vi o mar, as gaivotas e enchi o cabelo e os pés de areia. O que se pode desejar mais?

29 de março de 2009

FESTIVAL ALTERNATIVO DA CANÇÃO

Na verdade, fazia falta.
E o vencedor foi claramente o melhor. A frase "O povo quer dinheiro para comprar um carro novo", é lapidar. Sobretudo, se for um BMW Z3, que, na nova concepção de harmonia social da sociedade tuga é um direito mais do que adquirido.
E que, já agora, nem precisa de vir do esforço...